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Palavras e expressões linguísticas
Todos temos uma língua em comum que é o português, mas dependendo da área geográfica onde nos encontramos é fácil escutar palavras que não sabemos o que significa. Apesar da constante globalização, existem palavras e significados que persistem com o passar dos anos e que caracterizam uma área geográfica ou uma região.
Deixamos algumas das palavras, expressões e ditados populares ainda utilizados na freguesia do Coimbrão.
Algumas palavras
Acachar= tapar
Água quinada: água imprópria para consumo
Amanhar: trabalhar a terra
Amanhar ou escalar o peixe: limpar o peixe
Arrife: utilizado para formar talhões e feito no sentido Norte Sul
Asseiro: utilizado para formar talhões e feito no sentido Nascente Poente
Bandulho: quando uma pessoa tem uma barriga grande, quando come muito
Bico: pau de madeira para escamisar o milho
Boieiro: eram os homens que tinham bois. Estes bois eram utilizados na Arte Xávega do Pedrógão para puxar as redes
Borda do mar: beira mar
Bucha: lanche
Cabeça de criação: galos ou galinhas, cabeça significa o número, exemplo: tenho 2 cabeças de criação: tem 2 galinhas.
Capoeira, cochila: o mesmo que galinheiro, espécie de gaiola grande onde se guardam as galinhas
Carqueja: arbusto silvestre e áspero, planta sem folhas e muito usada em especial como acendalha ou combustível. Também é utilizada como condimento para carnes, principalmente coelho
Carreta: veículo utilizado para transportar os mortos até ao cemitério, puxado por homens.
Castelhano: pássaro pequeno de nome lugre
Cascarra: peixe com nariz comprido da família do tubarão. Este peixe era usualmente seco
Cervejão: bebida preparada com vinho tinto, cerveja preta e açúcar amarelo
Companha: grupo de homens que pescam
Conduto: o que acompanha o prato principal
Dia diferenciado: dias santos e que não trabalhavam
Eira: local onde se colocam os cereais a secar ou para malhar
Emborcar: virar ao contrário uma cântara ou um copo
Entralhar: modo de fazer uma rede
Fidalgo: pessoa esquisita, que não gosta de nada ou que age como sendo melhor do que os outros
Espinhel: tipo de pesca, feita com fio e anzóis que se na beira mar se atiram ao mar e depois o fio é também puxado manualmente (já não se pratica)
Feijão de duas caras= feijão frade
Fogueiro: os paus que se colocavam no carro das vacas ou atrelados para segurar e equilibrar a carga
Gatear: colocar grampos na parte de trás dos pratos ou alguidares partidos. Como não havia possibilidades de comprar sempre louça nova, esta era a solução para recuperar os pratos.
Galo da semente = galo das galinhas
Freiras= pipocas
Limo: eram as ervas da lagoa que as pessoas utilizavam como fertilizantes
Lote: conjunto de peixe vendido. Os lotes são divididos por espécie
Luzecu: pirilampos
Medrar: crescer
Medronheiro ou erevedo ou ervedeiro (arbutus unedo L. ): árvores muito comum na mata do Urso e Pinhal do Pedrógão, do qual é possível fazer aguardente. Relacionado com a origem do nome da Ervedeira
Moal: utensílio para malhar cereais normalmente pastos, arroz, feijão.
Moira: Água com sal grosso. Para saber se a moira está boa coloca-se um peixe lá dentro, se for ao fundo tem de se pôr mais sal.
Munho: forma oral da palavra moinho
Novidade: sementeiras novas, quando os produtos agrícolas estão a nascer.
Ovelhas: quando há vento mais forte, formam-se vagas brancas no mar a que os locais apelidam de ovelhas
Paliçada ou ripado: sistema utilizado pelos Serviços florestais para evitar a entrada das areias pelas terras dentro.
Pandas: pedaços de cortiça que eram colocadas nas mangas, tendo um efeito semelhante às bóias. Quando as bóias se estragavam eram utilizadas pelos rapazes para fazerem as rodas das galgas
Passou o vau: morreu
Pescino (a): pessoa da praia
Pintasilgos: pele queimada por causa do contacto directo com o cimento.
Piteira= palma: A palma ou piteira é uma espécie de cacto
Praia do Pedrógão: na forma oral diz-se Praia do Pedrógo
Quieda = quieta
Rapão: camada de húmus que se encontra junto dos samoucos, pinheiros e outras árvores e arbustos dos pinhais.
Rapola: recompensa que se dava a quem ajudava a puxar a rede. A rapola dava-se depois de feitos os quinhões e serviam como forma de pagamento. Hoje em dia é dada a quem ajuda.
Riscão ou cebolão: dependendo da utilidade deste utensílio em forma de T, feito de ferro e madeira o nome é diferente: para o milho é riscão, para matança do porco é cebolão.
Robaco sapo: girino
Samouco (myrica faya aiton): arbusto que cresce no litoral e que dá um fruto preto comestível e que era utilizado para alimento dos animais.
Selha: local onde se colocava a fava de molho para dar às vacas.
Sentina ou reterete: casa de banho
Tirante ou tiranto: utensílio que era utilizado como apoio para puxar a rede. Era uma tira de cabedal, unida e por uma corda que na ponta tinha um pequeno anel/bóia. Os homens colocavam o tirante e prendiam o anel nas cordas ou nas mangas para puxar a rede.
Tulhas: local onde na mercearia se armazenava o arroz, a massa, o feijão e o açúcar.
Vedor: homem que vê o solo onde se encontra água. Quando a vara dobra é sinal de que há água e que ali se pode fazer um poço.
Ugado: tudo do mesmo tamanho, no mesmo comprimento
Zelar: cuidar, limpar, na forma falada há quem diga: azelar, ou azelo
Algumas expressões linguísticas
Ai caredo!: expressão de medo, ou de espanto
Alheta, mesmo que pôr-se na alheta: partir, fugir
Andar ao catraio: andar na beira mar à procura de coisas que deram à costa ou que foram perdidas
Andar ao rabisco: apanhar o resto de qualquer coisa. Muito utilizado quando estamos na vindima
Andar no cóio: andar em mexericos
Andar todo gaiteiro: andar alegre e bonito
Andar a morar = andar a servir: trabalhar para alguém
Andar ao Catraio: ir à beira mar e apanhar tudo o que se encontrava como por exemplo garrafas, bolas de chumbo, madeira e muitos depois vendiam
Aparelhar o barco: colocar os materiais de pesca no barco para ir ao mar (cordas, mangas, saco, bóias)
É cabana, ó castanha!!- forma das pessoas tratarem as vacas
Era pegada à cozinha: junto da cozinha
Fazer o cão: andar na brincadeira, não fazer nada
Fazer pouco: fazer troça de alguém
Ir fora ou andar fora: ir ganhar o dia, andar à jorna
Levar cachaporra: levar porrada
Levar serviço: ir entregar os trabalhos encomendados a casa dos clientes
O mar está um ímpado!: o mar está muito bravo
Para disfarçar o dia: para fazer algo diferente do habitual. Exemplo: fazia-se coelho para disfarçar o dia
Passaporte de coelho = a salto (passar a salto) : passar a fronteira de forma ilegal
Pinhal Concelho= pinhal do Inglês= pinhal de Leiria
Por brincadeira as pessoas mais antigas costumam afirmar, acerca da fome o seguinte: “Nunca passei fome, ela é que passava por mim.”
Pôr a massa a dormir / Pô-los a dormir (os bolos): pôr a levedar
Pôr-se na alheta: ir-se embora
Tudo em verdeiro: as terras em pousio
Vender o peixe de corrida: assim que o peixe saía, as peixeiras do Pedrógão, compravam a sua parte e saiam em corrida para vender o peixe rapidamente.
Alguns ditados populares
“A chover, a trovejar e as bruxas a dançar. A chover e a fazer sol e as bruxas a comer pão mole.”
“Ai que vida a nossa, nem o nosso pai morre, nem a gente almoça.”
“Casada vida arrastada, solteira vida perdida, viúva nem só uma hora, donzela para toda a vida”
“Janeiro fora, uma hora quem bem contar, hora e meia há-de achar.”
“Março, marçagão, de manhã Inverno e à tarde Verão.”
“Na N. Sra. das Candeias, se estiver a luzir está o Inverno para vir, se estiver nublado está o Inverno passado.”
“Nasceu o dia a rir, está o Inverno para vir.”
“Nossa casa, nossa brasa”
“O robalo quem comer há-de escamá-lo.”
“Para onde vai o cão vai o trambolho.”
“Para bem tarde e para mal nunca.”
“Poda em Março, vindima no arregaço.”:
“Quem não pede não ouve Deus”
“Tamarez, não o comas não o dês que para vinho tem melhor vez.”
“Velhos são figos” |
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